Asma
Doença respiratória crônica caracterizada por inflamação e estreitamento variável das vias aéreas.

Última revisão:
22 de setembro de 2026 às 02:12:02
A asma é uma doença respiratória crônica que afeta os brônquios, os tubos responsáveis por levar o ar para dentro e para fora dos pulmões.
Nas pessoas com asma, as vias aéreas apresentam inflamação e ficam mais sensíveis a determinados estímulos. Em alguns momentos, os músculos ao redor dos brônquios podem se contrair, a parede das vias aéreas pode inchar e pode haver aumento da produção de muco. Como resultado, o espaço disponível para a passagem do ar diminui.
É por isso que podem surgir sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse e sensação de aperto no tórax.
Uma característica importante da asma é sua variabilidade: os sintomas podem melhorar ou desaparecer por algum tempo e depois retornar. A intensidade também pode variar de episódios leves até exacerbações graves.
A asma não é igual em todas as pessoas. Existem diferentes padrões e mecanismos envolvidos na doença, e o tratamento precisa ser ajustado de acordo com características como idade, frequência dos sintomas, risco de crises e resposta aos medicamentos.
Não existe uma única causa para a asma. Ela resulta da interação entre predisposição individual, fatores genéticos e exposições ambientais.
Algumas pessoas têm maior tendência a desenvolver inflamação e hiperresponsividade das vias aéreas, especialmente quando existe histórico pessoal ou familiar de doenças alérgicas.
Diversos fatores ambientais podem participar do desenvolvimento ou da manifestação da doença, como exposição à fumaça do cigarro, poluição, determinados alérgenos e exposições ocupacionais.
É importante diferenciar causas e fatores associados ao desenvolvimento da doença dos chamados gatilhos. Um gatilho é algo que provoca sintomas ou uma crise em uma pessoa que já tem asma, mas não necessariamente foi responsável pelo surgimento da doença.
Entre os gatilhos mais frequentes estão infecções respiratórias virais, poeira e ácaros, pólens, fungos, pelos ou partículas de animais em pessoas sensibilizadas, fumaça, poluição, exercício físico, ar frio e determinadas exposições no ambiente de trabalho. Alguns medicamentos também podem desencadear sintomas em pessoas suscetíveis.
Alguns fatores estão associados a maior probabilidade de desenvolvimento de asma ou de ocorrência de sintomas e exacerbações.
Entre eles estão:
histórico familiar de asma;
presença de rinite alérgica, dermatite atópica ou outras manifestações alérgicas;
exposição à fumaça de cigarro, inclusive tabagismo passivo;
exposição frequente a poluentes e irritantes respiratórios;
determinadas exposições ocupacionais;
obesidade;
sensibilização a alérgenos ambientais;
ocorrência de algumas infecções respiratórias, especialmente em indivíduos predispostos.
Em quem já tem asma, outros fatores aumentam o risco de crises, como controle inadequado da doença, uso incorreto do inalador, baixa adesão ao tratamento, uso excessivo de medicamentos apenas para alívio dos sintomas e exposição persistente a gatilhos relevantes.
Ter um ou mais desses fatores não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá asma.
Os sintomas mais característicos da asma são:
falta de ar;
chiado no peito;
tosse;
sensação de aperto ou peso no tórax.
Uma característica importante é que esses sintomas costumam variar ao longo do tempo. A pessoa pode passar períodos sem sintomas e apresentar piora em outros momentos.
Os sintomas podem aparecer ou piorar durante a noite ou no início da manhã, após exercícios físicos, durante infecções respiratórias ou após contato com determinados gatilhos.
Algumas pessoas apresentam principalmente tosse, enquanto outras têm episódios evidentes de chiado e falta de ar. Portanto, a ausência de um determinado sintoma isoladamente não exclui a possibilidade de asma.
Durante períodos em que a doença está controlada, inclusive o exame físico pode estar normal.
Não existe uma única causa para a asma. Ela resulta da interação entre predisposição individual, fatores genéticos e exposições ambientais.
Algumas pessoas têm maior tendência a desenvolver inflamação e hiperresponsividade das vias aéreas, especialmente quando existe histórico pessoal ou familiar de doenças alérgicas.
Diversos fatores ambientais podem participar do desenvolvimento ou da manifestação da doença, como exposição à fumaça do cigarro, poluição, determinados alérgenos e exposições ocupacionais.
É importante diferenciar causas e fatores associados ao desenvolvimento da doença dos chamados gatilhos. Um gatilho é algo que provoca sintomas ou uma crise em uma pessoa que já tem asma, mas não necessariamente foi responsável pelo surgimento da doença.
Entre os gatilhos mais frequentes estão infecções respiratórias virais, poeira e ácaros, pólens, fungos, pelos ou partículas de animais em pessoas sensibilizadas, fumaça, poluição, exercício físico, ar frio e determinadas exposições no ambiente de trabalho. Alguns medicamentos também podem desencadear sintomas em pessoas suscetíveis.
O diagnóstico da asma é feito pela combinação da história dos sintomas com a demonstração de que existe uma variação no fluxo de ar que sai dos pulmões.
O profissional avalia características como presença de chiado, falta de ar, tosse ou aperto no peito, a forma como esses sintomas variam ao longo do tempo e situações que provocam melhora ou piora.
Um dos principais exames utilizados é a espirometria, que mede a quantidade e a velocidade do ar que a pessoa consegue expirar. Frequentemente o teste é realizado antes e depois do uso de um broncodilatador para verificar se existe melhora significativa do fluxo de ar.
Quando a espirometria não está disponível ou quando os resultados não esclarecem o diagnóstico, outros métodos podem ser utilizados, dependendo do caso, como:
medidas seriadas do pico de fluxo expiratório;
testes de provocação brônquica;
avaliação da resposta ao tratamento;
medida do óxido nítrico exalado (FeNO);
avaliação de eosinófilos e outros marcadores em situações selecionadas.
FeNO elevado ou eosinófilos elevados podem apoiar a identificação de determinados padrões inflamatórios, mas isoladamente não confirmam nem excluem asma.
Sempre que possível, é desejável confirmar objetivamente o diagnóstico, especialmente antes do início de tratamento controlador prolongado. Em situações de urgência, entretanto, o tratamento não deve ser atrasado apenas para realizar essa confirmação.
Várias condições podem provocar sintomas semelhantes aos da asma. A possibilidade considerada depende principalmente da idade, do tipo de sintoma e da história clínica.
Alguns exemplos incluem:
doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
disfunções da laringe e das cordas vocais;
insuficiência cardíaca;
bronquiectasias;
infecções respiratórias;
refluxo gastroesofágico associado à tosse;
rinite e doenças das vias aéreas superiores;
hiperventilação e alguns transtornos relacionados à ansiedade;
obstruções das vias aéreas;
aspiração de corpo estranho, especialmente em crianças.
Asma e outras doenças também podem coexistir. Por isso, sintomas respiratórios persistentes ou que não respondem como esperado ao tratamento precisam ser reavaliados.
O tratamento da asma tem como objetivos controlar os sintomas, permitir atividades habituais e exercícios, manter a função pulmonar e, principalmente, reduzir o risco de exacerbações graves.
O tratamento deve ser individualizado e pode incluir diferentes medidas.
Medicamentos inalatórios
Os medicamentos contendo corticosteroide inalatório têm papel central no tratamento porque agem sobre a inflamação das vias aéreas e reduzem o risco de crises.
As recomendações internacionais atuais não consideram adequado tratar adultos e adolescentes apenas com broncodilatadores de curta duração sem um componente anti-inflamatório. Em 2026, a GINA reforçou a preferência por estratégias de alívio que também forneçam corticosteroide inalatório, quando apropriadas e disponíveis.
Dependendo da idade, intensidade da doença, frequência dos sintomas e risco de exacerbações, podem ser utilizados diferentes esquemas de medicamentos controladores e de alívio.
Técnica de inalação
A forma como o inalador é utilizado é fundamental. Uma técnica incorreta pode fazer com que quantidade insuficiente do medicamento alcance os pulmões, dando a impressão de que o tratamento não funciona.
Por isso, a técnica deve ser demonstrada e periodicamente revista.
Controle de fatores agravantes
Identificar e reduzir exposições relevantes, tratar doenças associadas e evitar fumaça de cigarro também fazem parte do cuidado.
Asma grave
Uma pequena parcela das pessoas apresenta asma grave que permanece inadequadamente controlada apesar de tratamento otimizado. Nesses casos, pode ser necessária avaliação especializada e, em pacientes selecionados, utilização de medicamentos biológicos ou outras estratégias específicas.
A escolha ou alteração de medicamentos depende da avaliação individual e não deve ser feita apenas com base na intensidade momentânea dos sintomas. O Ministério da Saúde mantém um protocolo nacional específico para diagnóstico, tratamento e acompanhamento da asma no SUS.
Nem sempre é possível impedir o desenvolvimento da asma, já que fatores genéticos e ambientais estão envolvidos. Entretanto, é possível reduzir significativamente a frequência de sintomas e o risco de crises.
Medidas importantes incluem:
utilizar corretamente o tratamento controlador prescrito;
aprender e revisar a técnica correta dos inaladores;
evitar tabagismo e exposição à fumaça de cigarro;
identificar gatilhos individuais relevantes;
reduzir exposições ocupacionais prejudiciais quando aplicável;
manter as vacinas recomendadas para idade e condições de saúde atualizadas;
tratar doenças associadas que dificultem o controle da asma;
realizar acompanhamento periódico.
Não é necessário tentar eliminar indiscriminadamente todos os possíveis alérgenos do ambiente. As medidas devem ser direcionadas às exposições que realmente tenham relevância para aquela pessoa.
A asma é uma doença variável e, por isso, o acompanhamento não termina quando os sintomas melhoram.
Nas consultas de acompanhamento, normalmente são avaliados:
frequência de sintomas durante o dia e à noite;
limitação para atividades;
ocorrência de crises desde a última avaliação;
necessidade de medicamentos para alívio;
técnica de uso dos dispositivos inalatórios;
adesão ao tratamento;
efeitos adversos;
exposição a fatores desencadeantes;
presença de doenças associadas;
função pulmonar, quando indicado.
O tratamento pode precisar ser ajustado ao longo do tempo. Antes de aumentar medicamentos por aparente falta de controle, é importante verificar fatores como diagnóstico correto, técnica inalatória e adesão.
Quando a doença permanece bem controlada por período adequado, o profissional pode avaliar a possibilidade de reduzir gradualmente a intensidade do tratamento, sempre procurando manter controle e segurança.
A maioria das pessoas com asma pode alcançar bom controle da doença e levar uma vida ativa, incluindo prática de exercícios.
A evolução varia bastante entre indivíduos. Algumas crianças apresentam grande redução ou desaparecimento dos sintomas ao crescer, embora eles possam retornar posteriormente. Em outras pessoas, a doença persiste durante a vida adulta.
Uma parcela menor apresenta asma de difícil tratamento ou asma grave, que exige investigação mais detalhada e acompanhamento especializado.
Mesmo pessoas com sintomas pouco frequentes podem apresentar exacerbações graves. Por isso, a avaliação do risco de crises é importante mesmo quando os sintomas cotidianos parecem leves.
Procure avaliação médica se houver:
episódios repetidos de chiado, falta de ar, tosse ou aperto no peito;
tosse persistente ou que frequentemente piora à noite;
sintomas provocados repetidamente por atividade física;
despertares noturnos por sintomas respiratórios;
necessidade cada vez mais frequente de medicamento de alívio;
limitação para atividades habituais;
crises recorrentes;
sintomas que estão se tornando mais frequentes ou intensos;
dúvida sobre o diagnóstico;
dificuldade para utilizar corretamente os dispositivos inalatórios;
controle inadequado apesar do tratamento.
Quem já possui diagnóstico de asma também deve realizar acompanhamento periódico, mesmo quando se sente bem.
Uma crise de asma pode se tornar grave rapidamente.
Procure atendimento de urgência imediatamente diante de sinais como:
falta de ar intensa ou piorando rapidamente;
dificuldade importante para respirar;
dificuldade para falar frases completas por falta de ar;
retração intensa dos músculos do tórax ou esforço evidente para respirar;
sonolência incomum, confusão ou redução do nível de consciência;
coloração azulada ou arroxeada dos lábios ou extremidades;
piora persistente apesar das medidas previstas no plano de ação para a asma;
sintomas muito intensos ou diferentes das crises habituais.
Pessoas com asma devem conhecer previamente seu plano de ação para situações de piora. Em situações graves no Brasil, o atendimento de emergência pode ser acionado pelo SAMU 192.
Asma tem cura?
A asma é considerada uma doença crônica e não existe atualmente uma cura definitiva aplicável a todos os casos. Entretanto, na maioria das pessoas ela pode ser muito bem controlada. Há indivíduos que passam longos períodos sem sintomas, e algumas crianças apresentam remissão durante o crescimento.
A “bombinha” causa dependência?
Não. Os medicamentos inalatórios utilizados no tratamento da asma não provocam dependência química da forma como drogas que causam vício. O que pode ocorrer é uma pessoa com asma mal controlada precisar utilizar frequentemente um medicamento de alívio. Essa necessidade excessiva é um sinal de que o controle da doença deve ser reavaliado.
Quem tem asma pode fazer exercício?
Sim. O objetivo do tratamento é justamente permitir uma vida ativa. Exercícios podem provocar sintomas em algumas pessoas quando a asma não está adequadamente controlada, mas isso não significa que atividade física deva ser evitada. Atletas de alto rendimento também podem ter asma.
Asma é contagiosa?
Não. A asma não é causada por um agente contagioso e não passa de uma pessoa para outra. Infecções respiratórias virais, entretanto, podem desencadear crises em pessoas que já têm asma.
Asma pode matar?
Sim, crises graves podem ser fatais, embora grande parte dessas mortes possa ser evitada com diagnóstico, acesso a tratamento adequado, uso de terapia anti-inflamatória e reconhecimento precoce das exacerbações.
Criança com asma sempre terá a doença na vida adulta?
Não necessariamente. Algumas crianças apresentam redução importante ou desaparecimento dos sintomas com o crescimento. Em outras, a doença persiste ou pode reaparecer posteriormente. A evolução varia de pessoa para pessoa.
Global Initiative for Asthma (GINA). Global Strategy for Asthma Management and Prevention – 2026 Update.
Global Initiative for Asthma (GINA). Summary Guide for Asthma Management and Prevention – 2026.
Ministério da Saúde / CONITEC. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, de 24 de março de 2026.
Pizzichini MMM, Carvalho-Pinto RM, Cançado JED, et al. Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – 2020. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2020;46(1):e20190307.
