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Sertralina

A sertralina é um antidepressivo da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), utilizado no tratamento da depressão e de diferentes transtornos relacionados à ansiedade, além do transtorno obsessivo-compulsivo e do transtorno disfórico pré-menstrual.

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Sertralina

50mg

Revisado em:

23 de setembro de 2026


A sertralina é um medicamento antidepressivo pertencente ao grupo dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, conhecidos pela sigla ISRS.

Apesar do nome “antidepressivo”, ela não é utilizada apenas para depressão. A sertralina também pode ser empregada no tratamento de diversos transtornos relacionados à ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo e outras condições específicas.

O medicamento utilizado nas formulações comerciais é geralmente o cloridrato de sertralina, em quantidade equivalente à dose indicada de sertralina.

Seu uso costuma ser contínuo e o efeito não é imediato. Algumas alterações podem começar a ocorrer nas primeiras semanas, mas a resposta clínica completa pode levar mais tempo, dependendo da condição tratada e de cada pessoa.


Em adultos, a sertralina pode ser utilizada no tratamento de:

  • depressão, inclusive quando acompanhada por sintomas de ansiedade;

  • transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);

  • transtorno do pânico, com ou sem agorafobia;

  • transtorno do estresse pós-traumático (TEPT);

  • transtorno de ansiedade social, também chamado de fobia social;

  • sintomas da síndrome da tensão pré-menstrual e do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

Em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, a indicação pediátrica estabelecida na bula brasileira de referência é para o tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo.

A escolha da sertralina depende do diagnóstico, características da pessoa, outros medicamentos utilizados e resposta a tratamentos anteriores.


A serotonina é uma substância utilizada pelas células do sistema nervoso para transmitir sinais entre si.

Depois de ser liberada entre os neurônios, parte da serotonina é normalmente recaptada pela célula que a liberou.

A sertralina reduz seletivamente essa recaptação, aumentando a disponibilidade da serotonina nas conexões entre os neurônios.

Esse efeito provoca adaptações progressivas no funcionamento de circuitos cerebrais envolvidos com humor, ansiedade, pensamentos repetitivos e outras funções.

Por isso, embora a alteração da serotonina comece relativamente cedo, a melhora dos sintomas geralmente não ocorre imediatamente e pode levar algumas semanas.


A sertralina é normalmente utilizada uma vez ao dia, pela manhã ou à noite, e pode ser tomada com ou sem alimentos.

A dose depende da condição que está sendo tratada, da idade, da resposta e da tolerabilidade.

Na bula brasileira de referência:

  • para depressão e TOC em adultos, o tratamento geralmente começa com 50 mg por dia;

  • para transtorno do pânico, TEPT e ansiedade social, pode ser iniciado com 25 mg por dia e aumentado para 50 mg após uma semana;

  • para STPM/TDPM, existem esquemas contínuos ou restritos a parte do ciclo menstrual;

  • quando necessário, aumentos de dose devem ocorrer em intervalos de pelo menos uma semana.

A dose máxima indicada na bula de referência é 200 mg por dia.

O tratamento costuma ser mantido pelo período necessário para controlar os sintomas e reduzir o risco de recaída.

A sertralina não deve ser interrompida abruptamente, principalmente após uso prolongado. Quando o tratamento deve ser encerrado, a redução costuma ser gradual.


A sertralina é encontrada principalmente na forma de comprimidos revestidos para uso oral.

As concentrações disponíveis variam conforme fabricante e produto.

No Brasil podem ser encontradas apresentações como:

  • 25 mg;

  • 50 mg;

  • 75 mg;

  • 100 mg.

A concentração de 50 mg é uma das apresentações mais utilizadas e disponíveis.

O medicamento de referência Zoloft possui atualmente apresentações de 50 mg e 100 mg, enquanto outros produtos registrados podem oferecer concentrações adicionais.

O número de comprimidos por embalagem e os excipientes também variam conforme o fabricante.


A sertralina não deve ser utilizada por pessoas com alergia conhecida à sertralina ou a algum componente da formulação.

Também existem combinações medicamentosas contraindicadas.

Inibidores da monoaminoxidase (IMAO): sertralina e IMAO não devem ser utilizados simultaneamente devido ao risco de reações graves, incluindo síndrome serotoninérgica.

Após a interrupção de determinados IMAO, é necessário respeitar um intervalo antes de iniciar sertralina. Da mesma forma, após interromper sertralina, é necessário aguardar antes de iniciar um IMAO.

Pimozida: seu uso concomitante com sertralina é contraindicado.

Exemplos de medicamentos com atividade de IMAO incluem alguns antidepressivos e também medicamentos como linezolida e azul de metileno em determinadas situações.

Por isso, a lista completa de medicamentos utilizados deve ser informada ao profissional responsável pelo tratamento.


O uso da sertralina exige alguns cuidados importantes.

Piora dos sintomas e pensamentos suicidas: pessoas em tratamento com antidepressivos devem ser observadas quanto a mudanças importantes de comportamento, piora da depressão ou aparecimento de pensamentos de autoagressão ou suicídio, principalmente no início do tratamento e após mudanças de dose. Essa atenção é particularmente importante em crianças, adolescentes e adultos jovens.

Síndrome serotoninérgica: o excesso de atividade serotoninérgica pode provocar uma reação potencialmente grave com agitação, alterações do estado mental, febre, sudorese, tremores, rigidez, aumento dos reflexos, alterações da pressão e frequência cardíaca, náuseas, vômitos ou diarreia.

Mania ou hipomania: antidepressivos podem precipitar sintomas de mania em pessoas suscetíveis, especialmente em quem possui transtorno bipolar.

Convulsões: a sertralina deve ser utilizada com cautela em pessoas com histórico de epilepsia. O aparecimento de uma convulsão durante o tratamento exige avaliação.

Sangramentos: ISRS podem aumentar a tendência a sangramentos, especialmente quando associados a anti-inflamatórios, ácido acetilsalicílico, anticoagulantes ou outros medicamentos que interferem na coagulação.

Sódio baixo no sangue: pode ocorrer hiponatremia, especialmente em idosos, pessoas que utilizam diuréticos ou que apresentam outras condições predisponentes.

Glaucoma de ângulo fechado: a dilatação da pupila provocada por ISRS pode desencadear crises em pessoas predispostas.

Fígado: pessoas com comprometimento hepático podem necessitar de dose menor ou menos frequente.

Disfunção sexual: redução da libido, dificuldade de orgasmo ou alterações da ejaculação podem ocorrer. Em alguns relatos, sintomas persistiram mesmo após a interrupção do medicamento.

Interrupção do tratamento: suspender a sertralina abruptamente pode provocar sintomas de descontinuação.


Nem todas as pessoas apresentam efeitos adversos, e muitos sintomas são mais intensos no início do tratamento e diminuem com o tempo.

Entre os efeitos relatados com a sertralina estão:

  • náusea;

  • diarreia;

  • boca seca;

  • dificuldade para dormir;

  • sonolência;

  • tontura;

  • dor de cabeça;

  • tremor;

  • aumento da transpiração;

  • redução do apetite em algumas pessoas;

  • alterações de peso;

  • redução da libido;

  • atraso ou dificuldade para atingir o orgasmo;

  • alterações da ejaculação.

Reações menos frequentes, porém clinicamente importantes, incluem hiponatremia, sangramentos, convulsões, síndrome serotoninérgica, reações alérgicas graves, alterações do ritmo cardíaco e lesões importantes da pele.

A presença de algum efeito adverso não significa automaticamente que o medicamento precise ser interrompido. A intensidade, duração e relevância clínica precisam ser consideradas.


A sertralina pode interagir com diversos medicamentos.

IMAO: a combinação é contraindicada devido ao risco de síndrome serotoninérgica. Isso inclui determinados antidepressivos e medicamentos com atividade de IMAO, como linezolida e azul de metileno.

Pimozida: a associação é contraindicada.

Outros medicamentos serotoninérgicos: tramadol, fentanila, metadona, alguns medicamentos para enxaqueca da classe dos triptanos e outros antidepressivos podem aumentar o risco de síndrome serotoninérgica.

Medicamentos que prolongam o intervalo QT: determinadas combinações podem aumentar o risco de alterações graves do ritmo cardíaco.

Anti-inflamatórios, ácido acetilsalicílico e anticoagulantes: podem aumentar o risco de sangramento quando utilizados juntamente com ISRS.

Lítio: a associação pode aumentar efeitos serotoninérgicos e requer acompanhamento.

Algumas interações também podem ocorrer porque a sertralina interfere em enzimas envolvidas na metabolização de outros medicamentos.

Por isso, medicamentos prescritos, medicamentos sem receita, suplementos e fitoterápicos devem ser considerados na avaliação.


A serotonina é uma substância utilizada pelas células do sistema nervoso para transmitir sinais entre si.

Depois de ser liberada entre os neurônios, parte da serotonina é normalmente recaptada pela célula que a liberou.

A sertralina reduz seletivamente essa recaptação, aumentando a disponibilidade da serotonina nas conexões entre os neurônios.

Esse efeito provoca adaptações progressivas no funcionamento de circuitos cerebrais envolvidos com humor, ansiedade, pensamentos repetitivos e outras funções.

Por isso, embora a alteração da serotonina comece relativamente cedo, a melhora dos sintomas geralmente não ocorre imediatamente e pode levar algumas semanas.


Crianças e adolescentes

Na bula brasileira de referência, a segurança e eficácia da sertralina estão estabelecidas para transtorno obsessivo-compulsivo em pacientes de 6 a 17 anos.

Para crianças entre 6 e 12 anos, o tratamento utilizado na bula começa com dose menor do que a utilizada habitualmente em adultos. Em adolescentes entre 13 e 17 anos, a dose inicial indicada para TOC é semelhante à de adultos.

O peso corporal deve ser considerado durante ajustes de dose.

Crianças e adolescentes utilizando antidepressivos também devem ser acompanhados quanto a alterações de comportamento, pensamentos suicidas, crescimento e desenvolvimento.

Idosos

A bula permite o uso das mesmas faixas de dose empregadas em adultos mais jovens, mas pessoas idosas possuem maior risco de algumas complicações, especialmente hiponatremia.

O uso simultâneo de vários medicamentos e a presença de outras doenças também devem ser considerados.


Se uma dose for esquecida, ela pode ser tomada quando a pessoa lembrar.

Entretanto, se já estiver próximo do horário da próxima dose, a dose esquecida deve ser ignorada e o tratamento deve continuar no horário habitual.

Não se deve tomar uma dose dobrada para compensar uma dose esquecida.


A ingestão de quantidade excessiva de sertralina pode provocar sintomas como:

  • sonolência;

  • náuseas e vômitos;

  • tremores;

  • agitação;

  • tontura;

  • aumento da frequência cardíaca;

  • alterações relacionadas ao excesso de serotonina;

  • alterações do ritmo cardíaco, incluindo prolongamento do intervalo QT.

Coma pode ocorrer em situações mais graves, e há relatos de mortes em superdoses, especialmente quando outros medicamentos ou álcool também estavam envolvidos.

Não existe antídoto específico para a sertralina.

Em caso de ingestão de quantidade muito maior do que a prescrita, deve-se procurar atendimento imediatamente e, se possível, levar a embalagem do medicamento.

O Disque-Intoxicação 0800 722 6001 pode fornecer orientação adicional.


As condições exatas de armazenamento devem ser conferidas na embalagem e bula do fabricante.

Para o medicamento de referência Zoloft, a orientação é armazenar os comprimidos em temperatura ambiente, entre 15 °C e 30 °C, protegidos da luz e da umidade.

O medicamento deve permanecer em sua embalagem original e fora do alcance de crianças.

Medicamentos vencidos ou com alterações inesperadas de aparência não devem ser utilizados.


Procure atendimento rapidamente se durante o uso da sertralina ocorrer:

  • pensamento de suicídio, intenção de se machucar ou mudança importante e repentina de comportamento;

  • agitação intensa, febre, confusão, rigidez muscular, tremores importantes ou outros sinais compatíveis com síndrome serotoninérgica;

  • convulsão;

  • reação alérgica importante, com inchaço da face, língua ou garganta ou dificuldade para respirar;

  • sangramento intenso ou inesperado;

  • confusão importante, fraqueza acentuada, desmaio ou convulsões que possam estar relacionados a sódio muito baixo;

  • comportamento extremamente acelerado, redução marcante da necessidade de dormir ou outras manifestações sugestivas de mania;

  • palpitações importantes associadas a desmaio;

  • dor intensa nos olhos acompanhada por alteração súbita da visão.

Também vale entrar em contato com o profissional responsável quando efeitos adversos persistentes estiverem dificultando o tratamento ou quando houver desejo de interromper ou modificar a dose.


Sertralina é só para depressão?

Não. Além da depressão, possui indicações para TOC, transtorno do pânico, TEPT, ansiedade social e STPM/TDPM em adultos. Em crianças e adolescentes, a indicação aprovada na bula de referência é TOC a partir dos 6 anos.


Quanto tempo a sertralina demora para fazer efeito?

Algumas mudanças podem começar na primeira ou segunda semana. A bula informa que efeitos terapêuticos podem surgir dentro de aproximadamente sete dias, mas geralmente é necessário um período maior para observar resposta clínica significativa, especialmente no TOC.


Posso tomar sertralina de manhã ou à noite?

Sim. A bula permite administração uma vez ao dia pela manhã ou à noite. O horário pode ser escolhido de acordo com orientação profissional e com a forma como cada pessoa reage ao medicamento.


Preciso tomar com comida?

Não obrigatoriamente. A sertralina pode ser utilizada com ou sem alimentos.


Sertralina causa dependência?

A sertralina não produz dependência no mesmo sentido de substâncias que causam compulsão ou busca pelo efeito do medicamento. Entretanto, interrompê-la abruptamente pode produzir sintomas de descontinuação, como tontura, alterações do sono, ansiedade, náusea, tremor e dor de cabeça. Por isso, a retirada costuma ser gradual.


Sertralina pode afetar a vida sexual?

Sim. Redução da libido, dificuldade de orgasmo e alterações da ejaculação estão entre os efeitos conhecidos dos ISRS.


Sertralina engorda?

Alterações de peso podem ocorrer, mas não acontecem da mesma forma em todas as pessoas. Tanto aumento quanto diminuição de peso são descritos.


Se eu estiver me sentindo melhor, posso parar de tomar?

A melhora pode ser consequência do próprio tratamento. A sertralina não deve ser interrompida abruptamente sem avaliação, porque os sintomas podem retornar e também podem surgir manifestações de descontinuação.

Interromper sertralina não é a mesma coisa que “desintoxicar” o organismo

Quando a sertralina é utilizada regularmente, o sistema nervoso se adapta à presença do medicamento.

Se a dose for reduzida muito rapidamente ou o tratamento for interrompido abruptamente, algumas pessoas podem apresentar sintomas como:

  • tontura;

  • sensação de choque ou formigamento;

  • alterações do sono e sonhos intensos;

  • ansiedade ou agitação;

  • náuseas;

  • tremores;

  • dor de cabeça.

Esses sintomas são conhecidos como síndrome de descontinuação e não significam necessariamente dependência química.

Por isso, quando chega o momento de finalizar o tratamento, a redução da dose geralmente é feita de maneira gradual.


Viatris Farmacêutica do Brasil Ltda. Zoloft® — cloridrato de sertralina. Bula profissional e bula para paciente. Comprimidos revestidos 50 mg e 100 mg. Bula aprovada pela Anvisa em 21/07/2025.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bulário Eletrônico. Consulta de medicamentos contendo cloridrato de sertralina.

ANVISA — Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Lista de substâncias sujeitas a controle especial no Brasil, Portaria SVS/MS nº 344/1998 e atualizações vigentes em 2026.

Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A. Tolrest® — cloridrato de sertralina. Bula brasileira aprovada pela Anvisa em 09/06/2025.

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©2023 por Dr. Me Explica! Informação em Saúde

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